Ouvir um familiar falar coisas desconexas, não reconhecer onde está, ou parecer agitado sem motivo aparente é assustador, e costuma pegar a família de surpresa, principalmente quando isso não tinha acontecido antes da internação. Esse quadro tem nome: delirium, e é mais comum na UTI do que muita gente imagina.
O delirium é um estado de confusão mental que surge de forma relativamente rápida, e pode se manifestar como agitação, desorientação, alterações de fala, ou até alucinações. Ele costuma ser causado por uma combinação de fatores comuns numa internação grave: a própria doença, medicamentos, privação de sono, dor não controlada, e o ambiente da UTI, com luzes acesas e ruídos constantes, que dificulta a noção de dia e noite. Não é, na maioria dos casos, um sinal de dano neurológico permanente, embora só a equipe médica que avalia o paciente de perto possa confirmar isso para o caso específico.
A equipe costuma ter estratégias para reduzir o delirium, como ajustar medicamentos, manter uma rotina de sono mais regular, e orientar o paciente sobre onde ele está e que dia é, algo que a própria família pode ajudar a fazer durante a visita, com calma.
Na prática, o que ajuda nesse momento
- Avise a equipe se notar confusão, agitação ou fala desconexa que pareça nova.
- Durante a visita, fale com calma e ajude a situar o paciente: diga onde ele está e que dia é.
- Evite discutir ou corrigir bruscamente o que o paciente disser durante um episódio de confusão.
- Pergunte à equipe o que está sendo feito para reduzir os fatores que favorecem o delirium.
